A retórica da mentira – Análise do Instituto Teotonio Vilela


O dia era devotado à padroeira do Brasil, mas o PT ignorou o caráter religioso da data e incorreu em vários pecados na propaganda partidária que levou ao ar na última quinta-feira, feriado nacional dedicado a Nossa Senhora Aparecida.

Programas políticos veiculados em rádio e TV raramente se notabilizam pela sinceridade e pela honestidade das mensagens que propagam. Mas o dos petistas foi especialmente pródigo em tentar enganar o espectador.

Numa narrativa típica do Brasil Grande da época dos militares no poder, números grandiosos foram enfileirados para tentar dar contornos a um país que a própria prática petista cuidou de implodir no momento seguinte. Muitas das realizações exibidas na primeira parte da propaganda enganosa petista ruíram pelos erros cometidos por ninguém menos que Dilma Rousseff – aliás, quase ignorada na peça – e Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi o próprio modelo insustentável de política posta em marcha pelo petismo que preparou e contratou o desastre que, num curto espaço de tempo, transformou em pó o pouco que o país havia conseguido avançar nas asas da bonança econômica global que marcara a primeira década deste século. A irresponsabilidade, a demagogia e o populismo transformaram em fumaça os ganhos conquistados pela população.

A recessão semeada e adubada pelo PT é atribuída, de maneira enganosa, ao atual governo e àqueles que sempre se opuseram ao modo fraudulento de gestão dos petistas. É como se aqueles que há um ano e cinco meses tentam consertar os enormes estragos impostos por Lula e Dilma ao país fossem os responsáveis pela destruição.

Não há, claro, menção aos três anos de recessão patrocinados pelo PT, à destruição da renda dos brasileiros promovida pelo PT, ao retrocesso social decorrente das políticas populistas postas em marcha pelo PT, aos 14 milhões de desempregados legados pelo PT, à implosão do orçamento público resultante da irresponsabilidade do PT ou à corrupção desenfreada que levou a cabo os governos do PT.

Toda esta ruína é atribuída pela propaganda petista “aos efeitos de uma nova crise internacional” que, no entanto, jamais existiu. As necessárias medidas de ajuste postas em prática pela gestão de Michel Temer são equiparadas a maldades cujo único intuito é prejudicar os beneficiados pelo petismo e não à correção do rastro de destruição deixado por Lula e Dilma. Pela propaganda, resta claro que o PT não tem nem terá compromisso com as necessárias reformas que o país precisa promover para voltar a crescer.

A visão distorcida de mundo dos petistas também se sobressai quando conquistas individuais são sempre retratadas como se fossem dádivas concedidas por governos do partido. As realizações da universitária que se forma, da vendedora que consegue sua casa, da agricultora que progride devem menos a seus esforços pessoais e mais a benesses franqueadas pelo poder. Para o PT, o indivíduo é sempre menor que o Estado.

A Lula, a propaganda destina o único papel que o PT desde sempre lhe reservou: o de salvador da pátria. Apresentado como o redentor do povo, surge como uma versão atualizada do “rouba, mas faz”. Para o petismo, tanto faz, desde que lhe garanta a volta ao poder. Os depoimentos da militância exibidos na propaganda reforçam o caráter de seita – a mesma que Antonio Palocci escancarou em sua carta de desfiliação do partido – que o PT devota a seu líder-mor.

Em sua propaganda veiculada na semana passada, o PT ensaia a narrativa que tentará vender aos eleitores em 2018: o Brasil de antes era melhor que o Brasil de hoje. Omite que a penúria do presente é consequência direta do modelo enganoso posto em prática por Lula e Dilma. Oculta que as dificuldades de agora são tributárias da irresponsabilidade no trato do dinheiro e dos bens públicos que marcou os governos petistas.

À retórica da mentira petista será preciso contrapor a mensagem da verdade. A recessão, o desemprego, a corrupção, o desalento que têm marcado o Brasil e os brasileiros nos últimos anos são frutos das práticas do PT. As dificuldades, as restrições, o dinheiro curto são devidos à forma predatória com que o PT ocupou o poder. Para se desenvolver de fato, o Brasil precisa confinar o PT ao passado e jamais dar-lhe uma nova chance no futuro próximo.

(Fonte: ITV)

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16 outubro, 2017 Últimas notícias Sem commentários »

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