Aparelhamento sem fim


Planalto ignora promessa de austeridade e usará mais cargos na Presidência para acomodar apadrinhados

A criação de cargos sem concurso público faz parte de um longo processo de aparelhamento do Estado por parte do PT. Além disso, a prática vai contra o discurso de responsabilidade fiscal anunciado pelo futuro governo federal. Essa é a avaliação dos deputados Antonio Carlos Mendes Thame (SP) e Luiz Carlos Hauly (PR) sobre o projeto do Executivo em tramitação na Câmara que reforça a estrutura da Presidência da República com 90 cargos. A proposta já passou por duas comissões e será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovada, seguirá ao Senado sem a necessidade de ser votada pelo plenário da Casa.

“Não é um projeto isolado. Isso faz parte de um grande processo de aparelhamento do Estado pelo PT, que coloca a estrutura de governo a serviço de um partido. A criação de cargos é cada vez maior e as pessoas não são escolhidas por mérito, aprovação em concurso ou porque estão aptas para aquele cargo, mas simplesmente porque têm a carteirinha de filiado”, avaliou Mendes Thame nesta quinta-feira (25).

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De acordo com o parlamentar, esse aparelhamento tem colocado em risco a eficiência de instituições como os Correios, o Incra, o Instituto Nacional do Câncer e a Petrobras. No entanto, o tucano lembrou que o projeto pode ser rejeitado pelo Congresso. “O país inteiro está assistindo a essa escalada da nomeação de pessoas sem concurso. Por outro lado, isso não está ainda consumado. Os deputados podem pedir a obrigatoriedade da votação em plenário. Ainda há formas de resistirmos a mais esse assalto aos cofres públicos”, ressaltou o tucano.

Para Hauly, o projeto vai de encontro à pregação de responsabilidade fiscal anunciada nesta quarta-feira (24) pela nova equipe econômica da presidente eleita Dilma Rousseff. A petista será herdeira de uma estrutura fortalecida nestes quase oito anos de governo do PT e terá à disposição mais funcionários, com gastos anuais estimados em R$ 7,6 milhões.

“Essa é uma contradição fatal e uma demonstração de efeito cascata. Todos os ministérios seguirão o mesmo exemplo, desaguando num mar de contratações. É preciso colocar um ponto final em tudo isso e o PSDB tem esse papel a fazer como oposição”, afirmou o deputado.

De acordo com o projeto enviado pelo Palácio do Planalto, os cargos são destinados ao Gabinete Pessoal do Presidente da República; à Casa Civil; às Secretarias Geral. de Relações Institucionais, de Comunicação Social e de Assuntos Estratégicos; ao Gabinete de Segurança Institucional e ao Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Todos esses órgãos são vinculados à estrutura organizacional da Presidência da República. (Reportagem: Alessandra Galvão/Fotos:Eduardo Lacerda e Ag. Câmara/Áudio: Elyvio Blower)

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25 novembro, 2010 Sem categoria 3 Commentários »

3 respostas para “Aparelhamento sem fim”

  1. Sizuo Matsuoka disse:

    É real e claramente um projeto de apadrinhamento dos amigos do rei. Onde está a lei de responsabilidade fiscal? No Brasil é sempre assim:a lei, ora a lei.

  2. Alfredo de Andrade Flôr disse:

    Acredito que cabe ao Congresso criar medidas para limitar essas ações. Reclamamos de governantes quando são de partidos opostos, mas não fazemos nada para melhorar nem para aplicar as Leis já existentes. Temos de parar de ver apenas a “política de interesse” e pensarmos um pouco no Povo que paga cada vez mais impostos para suprir “mimos políticos” que não trazem nada para a nação.

  3. Antônio Carlos de Araújo disse:

    Caros Deputados,

    Estas denúncias precisam chegar a quem realmente decide nas urnas os que irão comandar o país, e não deve ser denunciado só na vespera de eleição como sempre fizemos enquanto oposição, ao contrário do que o PT fazia quando na oposição.

    Elles faziam oposição sistematizada ao goveno do PSDB, permanentemente, na rua, mobilizando a militância, não gosto deste termo mas é o que o PT usa e dá certo. E vimos como isto deu resultado pra elles. Uma perguntinha apenas?

    “PORQUE NÃO APRENDEMOS COM ELLES?”

    É simples, barato, e de resultados expressivamente incontestáveis. Haja vista a popularidade do Lulla após 8anos de governo, apesar dos mensalões, aloprados, correios, dinheiro na cueca, quebra de sigilos fiscal e bancário, dossiers, petrobras, etc.

    A construção desta plataforma eleitoreira do PT/Lullismo/Dilmismo/PMDB, que arrebanhou gente de todas as classes sociais, inclusive as mais abastadas que abasteceram os cofres petista com dinheiro legal e ilegal, passou em primeiro lugar pelo alicerce construído nas ruas através da militância do “chão de fábrica do PT”.

    O PSDB se quiser ser reconduzido ao governo, terá que adotar uma estratégia análoga ao petismo guardando a sua espinha dorsal filosófica, mas sem se afastar do povão, pois este é quem decide o voto do comandante da Nação.

    Abraços

    Antonio Carlos de Araujo

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