Parlamentares defendem políticas de desenvolvimento da primeira infância 


Deputados do PSDB consideram que os debates sobre a importância de se dar prioridade absoluta aos primeiros anos de vida das crianças funcionam como estratégia de conscientização da sociedade sobre a construção do futuro. Hoje, a ciência revela a necessidade de se investir de forma correta para garantir que as crianças cheguem à idade adulta com plena capacidade de desenvolvimento.

Segundo o estudo “O impacto do desenvolvimento na primeira infância sobre a aprendizagem”, é na chamada primeira infância (de zero a seis anos de idade) que ocorre o desenvolvimento das estruturas e circuitos cerebrais e a aquisição de capacidades fundamentais para o aprimoramento de habilidades futuras.

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“Quanto mais o governo buscar formas para que isso aconteça, melhor será o desenvolvimento futuro”, disse o deputado Fábio Sousa (GO). Ele ressalta que nos últimos anos a gestão pública investiu esforços para o aumento de matrículas no nível superior, ao invés de investir na educação de base. “É essa que vai favorecer a vida da criança seja na adolescência ou juventude”, disse.

A situação no Brasil pode ser considerada grave. De acordo com reportagem publicada pela revista Exame, 59% das crianças de famílias com renda superior a cinco salários mínimos frequentam creches, e 9% estão em busca de uma vaga. Em contraposição, nas famílias com renda de até dois salários mínimos apenas 26% das crianças frequentam alguma creche e 34% estão em busca de uma vaga.

É uma desigualdade que já começa nos primeiros anos de vida e tende a se alargar ainda mais. Os dados são da pesquisa Primeiríssima Infância: Creche, realizada pelo Ibope Inteligência e pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, apresentada durante o VII Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, em Fortaleza. O evento foi realizado pela Fundação, em parceria com a Universidade de Harvard, com a Faculdade de Medicina da USP e o Insper – juntos, os institutos compõem o Núcleo Ciência pela Infância (NCPI).

Na avaliação do deputado Betinho Gomes (PE), é essencial que o poder público tenha condição de viabilizar políticas que priorizem a primeira infância. Para ele, a comprovação, com dados científicos, de que quanto mais cedo a criança tiver contato com o mundo do conhecimento, mais rápido e consistente será o seu desenvolvimento psicológico e intelectual, força o poder público a adotar estratégias de investimento no futuro dos pequenos.

“É nesse primeiro contato com o saber que a criança pode definir o seu futuro, a sua vida”, afirma o parlamentar. Segundo ele, o nível intelectual vai ser desenvolvido a partir desses estímulos logo na primeira fase de vida da criança. Para Betinho Gomes, é fundamental colocar isso no debate de maneira clara, objetiva e definir estratégias a fim de garantir que os municípios tenham condições de fazer esse tipo de investimento e governo federal dê o suporte que lhe couber. “Torço para que esse debate seja ampliado por todo o Brasil”, disse.

Conforme estudos do Núcleo de Ciência Pela Infância, já é possível observar que, no cenário brasileiro, o baixo peso ao nascer, prematuridade, retardo no crescimento e infecções nos dois primeiros anos de vida são alguns dos fatores relacionados a desempenho cognitivo inadequado e maior taxa de evasão da escola. A renda baixa e a escolaridade precária dos pais também influenciam nesse desempenho, uma vez que as crianças dessas famílias têm registrado pior desenvolvimento da linguagem e da cognição.

(Ana Maria Mejia/ Foto: Alexssandro Loyola)

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13 novembro, 2017 Últimas notícias Sem commentários »

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