Enxugar a máquina


Inflação: “Brasil ficou muito caro, bem antes de virar um país rico”, diz líder do PSDB

A inflação de 6,7% nos últimos doze meses e, portanto, acima da meta de 6,5%, divulgada nesta sexta-feira (5) pelo IBGE, revela que o governo não tem feito a lição de casa para conter o aumento de preços, o que inclui eliminar desperdícios no gasto público e adotar ações para eliminar obstáculos ao crescimento e à redução dos custos de produção no país, como investimentos em infraestrutura e diminuição da carga tributária. Essa é a opinião do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).

“O governo não consegue controlar a inflação porque o desperdício nos gastos públicos, que alimentam o aumento de preços, é alto. E dizer que vai cortar despesa e eliminar desperdícios sem diminuir o número de ministérios, que hoje soma 39, não passa de um discurso vazio, elaborado por marqueteiro”, disse.

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De acordo com Sampaio, a presidente Dilma Rousseff daria uma boa demonstração de que está atuando com firmeza no combate à inflação se fizesse uma reforma administrativa, enxugando a máquina.

“Em vez de reduzir os gastos públicos para valer, a presidente continua se dedicando ao plebiscito sobre reforma política, o que evidencia um claro problema de inversão de prioridade. Para a população, o mais emergencial é o controle da inflação e a melhoria dos serviços públicos, não um plebiscito. Há uma falta de sintonia entre o governo e o sentimento das ruas”, disse.

Sampaio destaca que o aumento de preços é mais sentido pela população mais pobre inclusive porque o INPC, que mede a inflação para famílias que ganham de 1 a 5 salários mínimos, foi de quase 7% nos últimos 12 meses. “O fato é que o Brasil ficou um país muito caro, bem antes de virar um país rico”, afirmou Sampaio.

Os deputados Alfredo Kaefer (PR) e César Colnago (ES) afirmam que o corte de gastos com a máquina pública é algo que deveria ter acontecido há tempos. Para Kaefer, a falta de ações nesse sentido é a raiz do problema econômico.

“O governo já queimou os últimos cartuchos. Desonerou a cesta básica, a folha de pagamento e fez toda uma engenharia, mas são todas ações praticamente nulas. Dificilmente fechará o ano sem estourar a meta. Vai ter muito trabalho para permanecer na faixa dos 6% ou 7%”, avalia Kaefer.

Nesta sexta-feira (5), em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo vai fazer cortes de despesas com a máquina que podem chegar até R$ 15 bilhões. Para Colnago, o Planalto tem vivido de anúncios.

 “Nós batemos recordes de receitas e o que o governo Dilma fez foi aumentar os gastos de custeio com cargos comissionados, cartões corporativos, viagens desnecessárias e um ministério com quase 40 ministros. A população tem sentido no bolso o peso disso, o peso da inflação”, destaca Colnago.

Com o dólar e a inflação em alta, o desaquecimento do consumo das famílias, a indústria fraca e uma sociedade desconfiada em relação ao futuro, instituições como o Itaú Unibanco, a consultoria MB Associados e a corretora Nomura já esperam expansão mais fraca do PIB em 2014. A consultoria Tendências está revisando os números, mas também vê o risco de desaceleração da atividade.

Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para baixo as perspectivas de crescimento da economia ainda em 2013. A estimativa de expansão do PIB recuou de 3,2% em março para 2%, e a projeção para o PIB industrial caiu de 2,6% para 1%.

 “A inflação já retornou e um país não cresce com taxas de 6% a 7% de inflação. Se não enfrentarem essa questão e reduzirem verdadeiramente os gastos, não tem como haver crescimento”, avalia o parlamentar capixaba.

(Djan Moreno com informações da assessoria da Liderança do PSDB na Câmara/Áudio: Elyvio Blower)

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5 julho, 2013 Últimas notícias Sem commentários »

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