Boquinha para todos


Deputados reprovam contratação de derrotados nas urnas para cargos públicos no governo federal

A ocupação de cargos no segundo e terceiro escalões do governo federal por aliados do Planalto derrotados nas urnas em 2010 foi criticada nesta terça-feira (15) pelos deputados Reinaldo Azambuja (MS) e Romero Rodrigues (PB). Os tucanos veem as nomeações da presidente como um sinônimo do aparelhamento do Estado promovido pelo PT e da incompetência do setor público gerada por essa situação desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula.

Depois de ter nomeado os ex-senadores Aloizio Mercadante e Ideli Salvati e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel para comandar três ministérios, Dilma iniciou uma série de contratações de outros candidatos vencidos para postos de menor notoriedade, como mostra reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” .De acordo com o jornal paulista, a presidente assinou ontem (14) a nomeação do ex-deputado catarinense Cláudio Vignatti para o cargo de secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais.

Assim como ocorreu com os três colegas levados para a Esplanada, Dilma incentivou Vignatti a se candidatar ao Senado e, como ele não conseguiu vencer, levou o ex-parlamentar para uma pasta que funciona dentro do Palácio do Planalto. Sua atribuição é manter próximas à presidente as relações do governo com o Congresso. Também derrotados na urnas, os ex-deputados José Genoino (SP) e Carlos Abicalil (MT) já estão trabalhando em ministérios. Genoino foi nomeado assessor especial do Ministério da Defesa e Abicalil ocupa cargo de secretário especial no Ministério da Educação. Pelo menos outros 13 aliados que não se elegeram esperam para ser nomeados em outros cargos nos próximos dias.

“É um erro do governo essa metodologia de preencher os espaços públicos com essas pessoas. Tem que se dar oportunidade para quem tem real competência para gerir cada setor”, alertou Azambuja. De acordo com o deputado, o setor público tem sido aparelhado pela gestão do PT desde o governo Lula. “É isso que tem acarretado a ineficiência, cada vez maior, da administração federal para lidar com suas demandas. A população não aguenta mais essa morosidade”, criticou.
 
O processo natural de contratação de funcionários para o setor público tem sido desprezado pelo governo do PT, como lembrou Romero Rodrigues. De acordo com o deputado, os concursos públicos e a nomeação de pessoas concursadas e habilitadas para as funções em questão é o método correto a ser usado, mas que o Planalto rejeita. “Estão admitindo pessoas que não passaram por um crivo de competência, com o único intuito de contemplar aliados. Existe por trás disso conveniências de muitas coisas ao longo dos anos por parte desses partidos”, condenou o tucano.

Nomeados por Dilma para cargos no Executivo foram rejeitados pela população em diversos estados.

Antes de conseguir a indicação para assumir as boquinhas concedidas pelo governo Dilma, alguns dos atuais ministros, secretários e assessores tentaram cavar seu lugar ao sol buscando a confiança da sociedade. Uns concorreram a vagas no Senado ou na Câmara e outros se empenharam na tentativa de chefiar os executivos estaduais. Confira abaixo o cargo que esses “amigos do Planalto” pleitearam e o que assumiram após a derrota nas urnas:

 

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(Reportagem: Djan Moreno/Audio: Elyvio Blower)

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15 março, 2011 Últimas notícias Sem commentários »

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