Vazamento inaceitável


Falhas no Enem já passaram do limite, avalia Gomes de Matos 

Devido aos sucessivos erros no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o deputado Raimundo Gomes de Matos (CE) cobrou nesta terça-feira (18) punição aos responsáveis pelo exame. Problemas como a impressão errada de provas e dificuldades para acessar as notas da avaliação mostram a sequência de falhas de gerenciamento do Ministério da Educação (MEC). E, se não bastasse esses casos registrados em 2010 e na última semana, ontem (17) surgiu um problema ainda mais grave: candidatos que acessaram o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) podiam ver dados de outros alunos, o que pode ser considerado vazamento de informações sigilosas dos estudantes. 

O deputado foi autor de um requerimento convidando o ministro da Educação a prestar esclarecimentos na Câmara sobre o assunto em 2010. Fernando Haddad compareceu, mas apenas minimizou a situação e não resolveu os problemas até hoje, segundo Gomes de Matos. “Os erros não podem mais continuar porque isso já passou dos limites. Quem vai recuperar os gastos dessas famílias? É preciso tratar a educação com mais seriedade. Os gestores públicos têm que ser penalizados”, afirmou. 

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Com todos esses problemas, o governo ainda tenta amenizar as falhas afirmando ter demitido o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC responsável pela elaboração da avaliação. No entanto, Joaquim José Soares Neto já havia pedido demissão do cargo antes dos últimos problemas acontecerem. “É muito simples só pedir para sair depois de causar todo esse dano à nação. E o custo? O ressarcimento aos cofres públicos? ”, questionou o deputado, ao classificar o ato do governo federal como “acordo de cavalheiros”.

Um dos candidatos entrou em contato com o portal “R7” da rede Record e enviou reproduções do site do Sisu. Pelo documento é  possível conferir nome, e-mail, telefone, número de inscrição no Enem e pontuação de outro estudante, do interior de Minas Gerais, e que tenta vaga no curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os dados foram acessados por uma brecha de segurança contida no sistema do MEC. Era possível, segundo a reportagem, também alterar dados cadastrais e inclusive o curso escolhido pelo estudante mineiro.

Na avaliação do tucano, a presidente Dilma Rousseff errou ao manter no cargo o ministro da Educação mesmo com todos esses acontecimentos negativos na pasta. “Até o momento ela não fez alterações consistentes. Se permanecer essa mesma equipe, o Brasil vai continuar sendo reprovado nos sistemas de avaliações da Educação”, apontou. (Reportagem: Letícia Bogéa/Foto:Eduardo Lacerda/Áudio: Elyvio Blower)

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18 janeiro, 2011 Últimas notícias Sem commentários »

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